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Ser os olhos de alguém

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Fátima Alves, impulsionadora do projeto Sopradores de Imagens em Portugal

Há uma forma de tornar a ópera acessível que não passa por fones nem por cabines de audiodescrição. Passa por uma pessoa sentada ao lado de outra, a sussurrar ao ouvido o que os olhos não conseguem ver. É isso que fazem os Sopradores de Imagens – e é isso que Fátima Alves tem trabalhado para trazer a Portugal.

O projeto é francês, nasceu em 2009 e expandiu-se ao longo dos anos por museus e teatros de todo o país, chegando ao Louvre, ao Musée d’Orsay e a dezenas de espaços culturais. Fátima Alves conheceu-o quando vivia em Paris, foi fazer a formação, tornou-se ela própria sopradora, e foi aí que percebeu o que os textos não conseguem transmitir. “Quando me tornei sopradora percebi o impacto deste projeto. Ao ter contacto com pessoas cegas e com outros sopradores é que entendi o quanto isto tinha valor e fazia a diferença”.

Uma partilha, não um favor

A distinção que Fátima Alves faz questão de sublinhar é esta: soprar imagens não é fazer um favor a uma pessoa cega. É uma partilha. “Estar com uma pessoa que não conhecemos, que não vê, mas para quem eu vou ser os olhos – com as minhas dificuldades e com o meu conhecimento. Era uma experiência vivida como uma partilha. Não no sentido de ah, fiz um favor à pessoa cega. Nada disso”.

A diferença em relação à audiodescrição tradicional é também uma diferença de filosofia. Na audiodescrição, há uma cabine, há fones, há um monólogo preparado com antecedência. É um serviço eficaz e necessário, mas que depende de datas fixas escolhidas pela instituição, de uma única sessão por mês, e que não permite interação. Com os Sopradores de Imagens, é a pessoa cega que escolhe o dia em que quer ir. “Essa componente, ser a pessoa cega que escolhe o espetáculo, o dia em que quer, muda tudo. Em questões de acessibilidade, isso é uma mudança brutal”.

Como funciona na prática

No Cascais Ópera, o modelo funcionou assim: a pessoa cega ou com baixa visão contacta a associação, indica que precisa de acompanhamento, e é feita a correspondência com um soprador disponível. O ponto de encontro é no transporte público mais próximo do local – não se vai a casa de ninguém. A partir daí, cada soprador acompanha uma pessoa, numa relação de um para um.

No trajeto até ao auditório, já começa a conversa. “Vamos perceber se a pessoa já conhece o espaço, se é a primeira vez que vem à ópera, se gosta de música, porque é que veio. Isso é importante para adaptar o discurso”. Dentro da sala, os sopradores informam os espectadores das filas próximas do que estão a fazer – para que ninguém interprete a conversa em voz baixa como descortesia.

Durante o espetáculo, a descrição acontece nos momentos certos: antes de cada prestação, durante as palmas, nos intervalos. “Antes de qualquer prestação, descrevemos como é que a pessoa está vestida, como é que está penteada, o que faz quando entra no palco”. Quando os cantores estão a cantar, o silêncio é absoluto. “Não faria sentido interromper o canto. O objetivo é ouvir a música”. É durante as palmas que se acrescentam os detalhes que ficaram por dizer – a postura, o movimento em palco, a expressão facial.

A ópera como laboratório

A parceria com o Cascais Ópera teve um significado particular: foi através dela que se formaram, pela primeira vez em Portugal, sopradores com formação específica na área da música clássica. A formação aconteceu na Casa Sommer e incluiu a observação de provas reais do concurso – uma oportunidade única de praticar a descrição num contexto operático antes de estar na final.

Um projeto que quer crescer

A Câmara Municipal de Cascais é um dos poucos parceiros que o projeto tem em Portugal, e um dos mais sólidos: decidiu que todos os museus sob a sua responsabilidade passarão a ter acompanhamento de sopradores. Para as pessoas cegas que usam o serviço, isso significa poder escolher dias e horários com uma liberdade que a audiodescrição tradicional raramente oferece.

Fátima Alves fala de tudo isso com a paciência de quem já percorreu um caminho longo – e com a convicção de quem sabe que o modelo funciona porque o viu funcionar, primeiro em Paris, depois em Portugal. O objetivo nunca foi criar um serviço paralelo à audiodescrição, mas sim complementá-la. Dar às pessoas cegas mais escolha, mais autonomia, mais momentos culturais. E, ao mesmo tempo, dar aos voluntários a experiência de ver o mundo através de outros olhos.

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Over the past three decades, primarily in London, Portugal and Amsterdam, Dr Jorge Balça
has developed a strong portfolio of work and a unique combination of skillsets – as a stage
director (of theatre, opera, and hybrid forms), a teacher and workshop leader, a presentation
skills, acting and creativity coach, and practice-based researcher. His work in all these
domains is distinguished by his commitment to and skill in making fantasy and invention
emerge from precise knowledge and training – and by his ability to inspire a similar alchemy
in his collaborators.

Classically trained as an actor and countertenor, he studied theatre directing in London and
Moscow, specialising in Shakespeare, techniques of adaptation, Meyerhold and commedia
dell’arte. Jorge also holds a PhD exploring the dramatic training of opera performers.
With a love for site-specific projects and collaborative forms, and an equal flair for comedy
and drama, his work is dramaturgically inventive, visually striking, and physically engaged.
He was the artistic director of Bloomsbury Opera and associate director of The Opera
Makers, both in London. In Portugal, he has recently directed L’Heure Espagnole and The
Turn of the Screw at Centro Cultural de Belém, and Don Giovanni and La Voix Humaine at
Festival de Ópera de Óbidos.

Jorge is committed to his work as a teacher, having taught at the Dutch National Opera
Academy, Morley College London, Universidade de Évora and other institutions. He
maintains an international coaching private practice and is the acting coach at the Neil
Semer Vocal Institute in Italy.

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Cascais ópera

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Over the past three decades, primarily in London, Portugal and Amsterdam, Dr Jorge Balça
has developed a strong portfolio of work and a unique combination of skillsets – as a stage
director (of theatre, opera, and hybrid forms), a teacher and workshop leader, a presentation
skills, acting and creativity coach, and practice-based researcher. His work in all these
domains is distinguished by his commitment to and skill in making fantasy and invention
emerge from precise knowledge and training – and by his ability to inspire a similar alchemy
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Classically trained as an actor and countertenor, he studied theatre directing in London and
Moscow, specialising in Shakespeare, techniques of adaptation, Meyerhold and commedia
dell’arte. Jorge also holds a PhD exploring the dramatic training of opera performers.
With a love for site-specific projects and collaborative forms, and an equal flair for comedy
and drama, his work is dramaturgically inventive, visually striking, and physically engaged.
He was the artistic director of Bloomsbury Opera and associate director of The Opera
Makers, both in London. In Portugal, he has recently directed L’Heure Espagnole and The
Turn of the Screw at Centro Cultural de Belém, and Don Giovanni and La Voix Humaine at
Festival de Ópera de Óbidos.

Jorge is committed to his work as a teacher, having taught at the Dutch National Opera
Academy, Morley College London, Universidade de Évora and other institutions. He
maintains an international coaching private practice and is the acting coach at the Neil
Semer Vocal Institute in Italy.

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