Benjamin Schwartz, Diretor de Programação Artística, Orquestra Sinfónica da Rádio da Baviera · Jurado do Concurso Cascais Ópera
Benjamin Schwartz chegou à Cascais Ópera por uma perspetiva diferente da maioria dos seus colegas do júri. Não é encenador de ópera, nem cantor, nem agente. É o responsável pelo planeamento artístico da Orquestra Sinfónica da Rádio da Baviera – um dos grandes conjuntos do mundo, atualmente dirigido por Sir Simon Rattle – e traz para a mesa do júri uma perspetiva que é, como ele próprio diz, “de fora do mundo da ópera”.
“Talvez represente um ponto de vista diferente”, afirma. “Trabalho regularmente com grandes cantores internacionais, programamos ópera em concerto todos os anos, gravamos grandes obras do repertório operático. Mas venho de fora, da perspetiva da ópera. E talvez isso me dê um ponto de vista ligeiramente diferente do de alguns dos meus outros colegas”.
Uma comunidade, não apenas um concurso
O que mais impressionou Benjamin Schwartz no Cascais Ópera não foi o nível dos cantores – embora tenha ficado genuinamente impressionado, descrevendo os finalistas como estando “ao mais alto nível internacional”, mas sim o ambiente do próprio concurso. “Quando cheguei, senti imediatamente que era uma comunidade”. A equipa administrativa, diz ele, estava “tão cheia de amor e paixão pelo que fazem”. As masterclasses, as trocas informais entre os membros do júri, o calor das boas-vindas, tudo isso contribuiu para algo que ele não esperava.
“Cada concurso tem o seu próprio tipo de ADN e este é realmente único”. O modelo – em que as masterclasses decorrem a par do concurso, em que os semifinalistas têm o seu próprio concerto, em que o júri interage informalmente com os candidatos e a comunidade local – é, na sua opinião, o que torna o Cascais Ópera distinto.
Encontrar a sua voz
Para os jovens músicos que procuram encontrar o seu lugar no mundo profissional, Benjamin Schwartz tem um conselho acima de todos os outros. “Encontrar a sua voz, descobrir quem realmente é”. Parece um cliché, reconhece ele. Mas é, insiste, o mais importante. “Como músico, todos têm algo que é muito característico e muito pessoal”.
Benjamin Schwartz faz uma analogia com a pintura: os jovens artistas copiam os mestres porque ficam fascinados com o que os outros fizeram. Mas, eventualmente, a cópia tem de se tornar outra coisa. “É preciso descobrir a sua voz distintiva. Quanto mais fiel for a quem é como músico, mais convincente e natural será a sua comunicação com o público”.
E o concerto dos semifinalistas? “Nunca se sabe quem está a ouvir. Nunca se sabe que oportunidades podem surgir de alguém que o ouve a tocar ao vivo”. O que ficará com ele de Cascais, é a comunidade – e a certeza de que algo genuinamente importante está a acontecer aqui.