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“O canto é um microcosmo”

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Juliane Banse, soprano e professora no Mozarteum de Salzburgo

Juliane Banse não acredita em especialização. Nunca acreditou, e hoje, diz, acredita menos do que nunca. Num mundo em que o mercado para os cantores mudou profundamente, a versatilidade deixou de ser uma vantagem e passou a ser uma condição. “Não funciona dizer que sou uma soprano de Mozart ou uma soprano italiana”, afirma. “Tens de ser capaz de te adaptar rapidamente a coisas diferentes”.

A afirmação ganha peso vindo de quem tem uma carreira que atravessa cinco séculos de repertório – do barroco a Puccini, passando por Mozart, Strauss e música contemporânea. E que encontrou no Lied, muitas vezes considerado um território à parte, uma chave para compreender melhor tudo o resto. “O trabalho no Lied treina a coloração da voz, a expressão, o tratamento do texto”, explica. “E isso nota-se quando se ouve alguém a cantar uma ária de ópera. Não é preciso saber que a pessoa estudou Lied, mas percebe-se logo.”

O que o júri ouve que o candidato não vê

Sentada do lado do júri no Cascais Ópera, Banse descreve o que acontece nos primeiros minutos de uma prova: “Os candidatos querem mostrar o instrumento que têm. É natural, é o instinto de quem está sob pressão. Mas um júri experiente procura outra coisa, procura a pessoa, o artista, o mensageiro de um carácter e de uma emoção”.

Nesta edição, cada candidato apresentou duas árias na primeira prova. Banse observou com atenção o momento de transição entre uma e outra. “Era muito interessante ver se faziam realmente essa mudança mental, de uma personagem para a outra, de um estilo para outro, de uma emoção para outra. Isso requer uma disciplina mental que vai muito além de mostrar a voz”. E resume com uma frase que ficou: “O canto é como um microcosmo.”

Transformar a frustração em futuro

Nas masterclasses que conduziu no Centro Cultural de Cascais, Banse trabalhou com os candidatos que não avançaram na competição. A abordagem foi direta e generosa ao mesmo tempo. “A ideia é transformar a frustração de já não estar na competição em algo construtivo e positivo”, diz. “Não estamos aqui para dizer que não são suficientemente bons. Estamos aqui para os ajudar a levar algo para casa que lhes seja útil no trabalho que vão continuar a fazer”.

É uma perspetiva que vem de longe, da sua própria formação com Brigitte Fassbaender, uma das grandes vozes do século XX. O que ficou dessa experiência não foi apenas técnica vocal: foi a ideia de comprometimento total com o momento. “Ela ensinou-me a necessidade de saltar para dentro do momento, de identificar completamente com o que se quer expressar. Se é um recital com 24 Lieder, são 24 estados emocionais diferentes. Se é uma ópera, és aquela personagem durante duas horas e meia. E depois tens de sair dela, mas enquanto estás lá, dás tudo”.

É isso que tenta transmitir. E é isso que, segundo ela, é mais difícil de ensinar, e mais difícil de aprender. “É uma questão mental. É um estado de espírito. Requer coragem, força mental e emocional. E provavelmente é o especto mais difícil de tudo isto”.

OUTROS ARTIGOS

Over the past three decades, primarily in London, Portugal and Amsterdam, Dr Jorge Balça
has developed a strong portfolio of work and a unique combination of skillsets – as a stage
director (of theatre, opera, and hybrid forms), a teacher and workshop leader, a presentation
skills, acting and creativity coach, and practice-based researcher. His work in all these
domains is distinguished by his commitment to and skill in making fantasy and invention
emerge from precise knowledge and training – and by his ability to inspire a similar alchemy
in his collaborators.

Classically trained as an actor and countertenor, he studied theatre directing in London and
Moscow, specialising in Shakespeare, techniques of adaptation, Meyerhold and commedia
dell’arte. Jorge also holds a PhD exploring the dramatic training of opera performers.
With a love for site-specific projects and collaborative forms, and an equal flair for comedy
and drama, his work is dramaturgically inventive, visually striking, and physically engaged.
He was the artistic director of Bloomsbury Opera and associate director of The Opera
Makers, both in London. In Portugal, he has recently directed L’Heure Espagnole and The
Turn of the Screw at Centro Cultural de Belém, and Don Giovanni and La Voix Humaine at
Festival de Ópera de Óbidos.

Jorge is committed to his work as a teacher, having taught at the Dutch National Opera
Academy, Morley College London, Universidade de Évora and other institutions. He
maintains an international coaching private practice and is the acting coach at the Neil
Semer Vocal Institute in Italy.

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director (of theatre, opera, and hybrid forms), a teacher and workshop leader, a presentation
skills, acting and creativity coach, and practice-based researcher. His work in all these
domains is distinguished by his commitment to and skill in making fantasy and invention
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Classically trained as an actor and countertenor, he studied theatre directing in London and
Moscow, specialising in Shakespeare, techniques of adaptation, Meyerhold and commedia
dell’arte. Jorge also holds a PhD exploring the dramatic training of opera performers.
With a love for site-specific projects and collaborative forms, and an equal flair for comedy
and drama, his work is dramaturgically inventive, visually striking, and physically engaged.
He was the artistic director of Bloomsbury Opera and associate director of The Opera
Makers, both in London. In Portugal, he has recently directed L’Heure Espagnole and The
Turn of the Screw at Centro Cultural de Belém, and Don Giovanni and La Voix Humaine at
Festival de Ópera de Óbidos.

Jorge is committed to his work as a teacher, having taught at the Dutch National Opera
Academy, Morley College London, Universidade de Évora and other institutions. He
maintains an international coaching private practice and is the acting coach at the Neil
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