O Conservatório de Música de Cascais acorda novamente com o mesmo som de véspera: vozes que aquecem, frases que se repetem, corpos que procuram a concentração antes da hora. É o segundo dia de provas do Cascais Ópera 2026, e a miscelânea é a mesma, mas os rostos são outros.
Hoje são onze. Onze candidatos que passaram os últimos dias a ensaiar, observar, a ouvir, a tentar não deixar que a espera os desgaste. Enquanto os vinte e oito colegas atuavam ontem, eles esperavam a sua vez. Agora chegou.
Duas árias. O mesmo formato, as mesmas regras, o mesmo júri do outro lado. Mas cada voz é um mundo diferente, cada escolha de repertório, uma declaração de intenções. Há quem tenha passado a noite a dormir pouco e a rever tudo mentalmente. Há quem prefira não pensar e deixar que o corpo faça o que sabe. Não existe uma forma certa de chegar a este momento, existe apenas chegar.

Com estes onze, fica completo o quadro dos trinta e nove candidatos que chegaram a Cascais vindos de vinte e cinco países. E agora, ao longo destes dois dias, todos tiveram o seu momento diante do júri. O processo está feito. O que resta é a decisão.
Ao final do dia de hoje, os nomes dos semifinalistas serão anunciados. Para trinta e nove cantores, é o momento em que o caminho se divide — e recomeça. De uma forma ou de outra.
E caberá ao júri constituído por Sergei Leiferkus, Antonio Pirolli, Benjamin Schwartz, Catarina Sereno, Colin Brush, Florian Köfler, Fredrik Andersson, Ivan van Kalmthout, Juliane Banse, Karen Stone, e María Bayo …. decidir quem passa ….
As vozes continuam.