Florian Köfler, Diretor de Planeamento Artístico e Produção da La Monnaie · Jurado do Concurso Cascais Ópera 2026
Florian Köfler sabe o que é estar em palco. Antes de se tornar Diretor de Planeamento Artístico e Produção da La Monnaie em Bruxelas, foi solista – membro do programa de jovens artistas do MusikTheater an der Wien. E antes disso, cenógrafo. É um percurso que lhe dá, diz, uma profundidade de compreensão sobre o que o canto em palco verdadeiramente exige que outro gestor, sem experiência cénica, simplesmente não consegue ter.
“Tem muitas implicações que muita, muita gente não percebe verdadeiramente”, diz sobre o ato de cantar diante de um público. “Ter estado em palco e ter essa experiência, de saber realmente o que estamos a pedir aos cantores naquele momento – este percurso de vida – acho que traz uma nuance que talvez outras pessoas não conseguissem dar”.
O que procura
Quando Florian Köfler avalia um cantor, trabalha através de uma hierarquia de competências. Na base: a forma natural e saudável de cantar – o alicerce sem o qual nada mais é possível. Depois a musicalidade, o sentido de estilo. E depois algo muito mais difícil de definir… e muito mais raro de encontrar. “Procuro alguém que me conte uma história que eu queira ouvir. É muito difícil perceber exatamente o que é, mas é simplesmente algo magnético. Um verdadeiro intérprete que nos apetece ouvir”.
Descreve-o como um certo magnetismo, uma qualidade que faz de alguém não apenas um bom cantor, mas um porta-voz do que a ópera pode ser. “Só muito poucas pessoas o têm verdadeiramente”, afirma. E são precisamente essas pessoas, acredita, que a arte precisa para o seu futuro.
Um admirador do talento futuro
Uma das coisas que distingue Florian Köfler como membro do júri é a sua preferência pelo que chama “talento futuro” – cantores que podem ainda não estar completamente prontos, mas que carregam dentro de si algo excecional. “Prefiro muitas vezes ir um pouco mais atrás, talvez pessoas que ainda não estejam prontas, mas que são muito promissoras”.
A lógica é simples: quando uma voz está quase lá, “preenchemos sempre as lacunas de conhecimento com os nossos sonhos e aspirações de que essa voz, esse artista, pode ser algo verdadeiramente excecional daqui a alguns anos”. E o desenvolvimento artístico, insiste, nunca pára. “Mesmo que tenhas 28, 29 ou 30 anos e a tua voz já amadureceu até esse ponto, é um processo de aprendizagem ao longo da vida. Pode-se desenvolver imensamente. Mesmo nos 30, 40, 50 e além”.
Para os finalistas que sobem ao palco da Gulbenkian, a sua mensagem é simples e total: “É o vosso espetáculo. Façam dele a vossa história, façam dele a vossa experiência, e façam-nos acreditar na vossa história. É isso que gostaria de ouvir”.