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Um nome. E depois, o que vem a seguir

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Já foram escolhidos os 20 semifinalistas.

Há um momento no Cascais Ópera em que tudo se suspende. É o momento em que os nomes são lidos em voz alta. Para alguns, é a confirmação de que o caminho continua. Para outros, é o ponto em que este capítulo fecha. Mas, e esta é uma das marcas distintivas deste concurso, fechar este capítulo não significa ir embora de mãos vazias.

Ouvir o próprio nome chamado numa sala é uma das experiências mais simples e mais poderosas que existem. Para um cantor, tem um peso especial: é a confirmação de que a voz chegou onde tinha de chegar, de que o trabalho de meses – de anos foi ouvido e reconhecido.

No final do terceiro dia do Cascais Ópera 2026, após dois dias de primeiras provas na Conservatória de Música de Cascais, os nomes dos semifinalistas foram anunciados por Sergei Leiferkus – barítono, cofundador do concurso e presidente do júri. Trinta e nove candidatos de vinte e cinco países passaram pela sala. Cada um teve quinze minutos e duas árias para mostrar o que sabe – e, sobretudo, quem é. Vinte seguiram em frente.

Antes de ler os nomes

Antes de abrir a lista, Leiferkus falou para toda a sala – para os que iam ouvir o seu nome e para os que não iam. Com a serenidade de quem viveu décadas em palcos de todo o mundo, começou por uma história pessoal: a da sua mulher, que depois de vinte anos de carta de condução chegou a Inglaterra e reprovou o exame três vezes. Uma amiga comum disse-lhe então: “girl, it means nothing”.

“O mesmo vos digo”, dirigiu-se aos candidatos. Não passar à semifinal não significa nada de definitivo – significa, isso sim, um gatilho. Um ponto de partida para o trabalho dos próximos meses, semanas, dias. A analogia seguinte foi a dos pilotos: depois de cada aterragem, reúnem-se para analisar o que fizeram, o que correu bem, o que precisa de mudar. “Façam o mesmo”, disse. “Abram a partitura, sentem-se e pensem: o que fiz, o que preciso de melhorar, e como”.

Os semifinalistas

  • Junyoung Choi
  • Tomislav Jukić
  • Beatriz Maia
  • Ljubomir Milanović
  • Aleksandra Domashchuk
  • Wu Tongyu
  • Zhenyu Wang
  • Jamal Al Titi
  • Seonwoo Lee
  • Pia Novak
  • Arianna Manganello
  • Ana Gvozdenović
  • Nikolett Mráz
  • Nuri Park
  • Junseok Hwang
  • Tanja Elisa Glinsner
  • Constança Melo
  • Katya Semenisty
  • Judit Subirana Muntada
  • Ihor Mostovoi
Sergei Leiferkus, presidente do júri e cofundador do Cascais Ópera. Imagem: Hugo Barreleiro

Para quem segue em frente

Aos vinte que avançam, Leiferkus foi igualmente direto: passar significa agora ter de dar uma prestação fantástica. A próxima fase tem uma sala diferente, um público diferente – e regras diferentes. Lembrou que o público é primeiro espectador e só depois ouvinte: a entrada, a postura, o vestuário, a atitude do corpo, tudo comunica antes de a voz soar. E a primeira frase é decisiva. “É como quando uma prima ballerina entra em palco”, disse. “O primeiro arabesque – é aí que o público decide se gosta ou não”. Não há segunda oportunidade para uma primeira impressão.

Aconselhou também a evitar o movimento físico excessivo – evocando a escola vocal alemã, Fischer-Dieskau como exemplo maior: “toda a expressão vinha da cor da sua voz”. Mudar de secção numa ária deve significar mudar de cor, de intensidade, de carácter. Mostrar o que o compositor escreveu. Ser o herói da história.

O outro caminho… que também é um caminho

Para quem não ouviu o seu nome na lista, o Cascais Ópera não acaba aqui. A partir de segunda-feira, 1 de junho, esses cantores têm acesso a um programa intensivo de masterclasses com alguns dos mais reputados especialistas da ópera europeia.

Juliane Banse e Liliana Bizineche conduzem masterclasses de canto no Centro Cultural de Cascais e no Conservatório. Sergei Leiferkus recebe os candidatos no Museu Condes de Castro Guimarães. María Bayo trabalha no espaço singular da Casa das Histórias Paula Rego. E Jorge Balça, encenador e especialista em formação de cantores-atores, dedica-se à representação – a dimensão que separa um bom cantor de um verdadeiro intérprete.

É uma semana de formação. E é aberta ao público – qualquer pessoa pode assistir e perceber o que acontece quando uma voz se encontra com quem sabe exatamente o que precisa de melhorar.

O Cascais Ópera pretende ir-se assumindo também como academia para estes grandes jovens talentos e estas masterclasses gratuitas com mentores de excelência são….

As vozes continuam.

OUTROS ARTIGOS

Over the past three decades, primarily in London, Portugal and Amsterdam, Dr Jorge Balça
has developed a strong portfolio of work and a unique combination of skillsets – as a stage
director (of theatre, opera, and hybrid forms), a teacher and workshop leader, a presentation
skills, acting and creativity coach, and practice-based researcher. His work in all these
domains is distinguished by his commitment to and skill in making fantasy and invention
emerge from precise knowledge and training – and by his ability to inspire a similar alchemy
in his collaborators.

Classically trained as an actor and countertenor, he studied theatre directing in London and
Moscow, specialising in Shakespeare, techniques of adaptation, Meyerhold and commedia
dell’arte. Jorge also holds a PhD exploring the dramatic training of opera performers.
With a love for site-specific projects and collaborative forms, and an equal flair for comedy
and drama, his work is dramaturgically inventive, visually striking, and physically engaged.
He was the artistic director of Bloomsbury Opera and associate director of The Opera
Makers, both in London. In Portugal, he has recently directed L’Heure Espagnole and The
Turn of the Screw at Centro Cultural de Belém, and Don Giovanni and La Voix Humaine at
Festival de Ópera de Óbidos.

Jorge is committed to his work as a teacher, having taught at the Dutch National Opera
Academy, Morley College London, Universidade de Évora and other institutions. He
maintains an international coaching private practice and is the acting coach at the Neil
Semer Vocal Institute in Italy.

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has developed a strong portfolio of work and a unique combination of skillsets – as a stage
director (of theatre, opera, and hybrid forms), a teacher and workshop leader, a presentation
skills, acting and creativity coach, and practice-based researcher. His work in all these
domains is distinguished by his commitment to and skill in making fantasy and invention
emerge from precise knowledge and training – and by his ability to inspire a similar alchemy
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Classically trained as an actor and countertenor, he studied theatre directing in London and
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dell’arte. Jorge also holds a PhD exploring the dramatic training of opera performers.
With a love for site-specific projects and collaborative forms, and an equal flair for comedy
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He was the artistic director of Bloomsbury Opera and associate director of The Opera
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Jorge is committed to his work as a teacher, having taught at the Dutch National Opera
Academy, Morley College London, Universidade de Évora and other institutions. He
maintains an international coaching private practice and is the acting coach at the Neil
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