Karen Stone, Diretora Executiva da Opera Europa · Jurada do Concurso Cascais Ópera 2026
Karen Stone conhece a ópera de todos os ângulos possíveis: como estudante na Royal Academy of Music e no Conservatorio Santa Cecilia, como cantora, como encenadora, como Diretora Geral da Dallas Opera, como Intendente em Graz e Magdeburgo, e agora como Diretora Executiva da Opera Europa, a maior rede de ópera do mundo. Quando fala do que os concursos significam para os jovens cantores, fala de todos esses lugares ao mesmo tempo.
“Os concursos de ópera são uma parte absolutamente vital do desenvolvimento dos jovens talentos”, diz. E o Cascais Ópera, acrescenta, é um dos melhores. “É excelente porque não é apenas um bom concurso com um júri interessante – oferece também, através das masterclasses, e mesmo para os jovens cantores que não passam à ronda seguinte, um concerto. Tudo isso contribui para o desenvolvimento artístico e profissional desses jovens cantores”.
O poder do palco
KarenStone é enfática sobre a importância da experiência prática – de estar verdadeiramente em palco diante de um público. “Quer esteja a fazer um bolo ou a cantar uma ária, é preciso a experiência. É preciso perceber quais são os meus pontos fortes, quais são as minhas fraquezas. E só se consegue isso quando se está num palco diante de um público”. Nenhuma preparação, insiste, substitui a experiência direta da performance.
O próprio trabalho da Opera Europa reflete esta convicção. Desde janeiro de 2025, a organização integra um novo programa – Opera Europa Next Generation – com 45 parceiros permanentes em casas de ópera por toda a Europa. As finais dos concursos são transmitidas gratuitamente na Opera Vision, o seu serviço online, chegando a companhias de ópera e agentes de todo o mundo sem que os cantores precisem de viajar. “Isto dá, naturalmente, uma grande projeção a estes jovens cantores”.
O valor de uma vida diversa
O percurso da própria KarenStone – de aspirante a cantora a diretora de ópera a líder de rede – deu-lhe uma perspetiva que valoriza profundamente. “Não acho que haja alguma experiência que qualquer um de nós tenha em qualquer área que não contribua para nós como pessoa”. Menciona, com calor, ter preparado saladas nas cozinhas do Madame Tussauds quando era estudante, e as pessoas que aí conheceu e que moldaram o seu pensamento. “Tudo o que fazemos contribui para fazer de nós a pessoa completa que somos”.
É esta completude que procura num cantor. Não a nota perfeita, não a frase polida, mas a paixão que faz o público sentir-se envolvido. “Precisamos de sentir a vossa paixão, o porquê de fazerem isto. Se sentirmos essa paixão, vão comunicá-la ao público e o público vai convosco nessa viagem extraordinária”. É isso, diz, o mais importante. Não uma bela nota aqui ou uma frase rápida ali. Comunicação.