No final de uma longa e intensa terça-feira de semifinais, o presidente do júri Sergei Leiferkus anunciou os nomes dos oito cantores que vão disputar os prémios da terceira edição do Cascais Ópera na Final na Fundação Calouste Gulbenkian, no próximo domingo, 7 de junho.
Vinte semifinalistas subiram ao palco do Centro Cultural de Cascais ao longo do dia. Cada um teve vinte minutos para mostrar o que a semana em Cascais lhes deu, e o que trouxeram de casa. O júri internacional, composto por alguns dos mais reputados profissionais da ópera europeia e mundial, deliberou durante horas antes de chegar a uma decisão que o próprio Leiferkus descreveu como “não fácil”: cada membro com a sua perspetiva, cada voz com os seus méritos.
“Quando faziam algo errado, nós sofríamos”, disse Leiferkus ao anunciar os resultados, referindo-se à forma como o júri acompanhou cada prestação. “E quando cantavam fantasticamente bem, estávamos felizes convosco”. Uma frase que resume bem o espírito deste concurso: rigoroso, mas humano.
Os oito finalistas
- Arianna Manganello
- Beatriz Maia
- Junyoung Choi
- Ljubomir Milanović
- Nuri Park
- Seonwoo Lee
- Tomislav Jukić
- Wu Tongyu
Os oito finalistas representam cinco países e várias tradições vocais – do soprano ao barítono, do repertório mozartiano ao verismo italiano, da ópera francesa à música russa e alemã. Uma diversidade que reflete bem o carácter verdadeiramente internacional desta edição, que recebeu 499 candidaturas de 59 países.
O caminho até domingo
Antes da final, os oito finalistas têm ainda dias de trabalho intenso. Amanhã, quinta-feira, participam em masterclasses de canto com Liliana Bizineche, de interpretação com Jorge Balça e de preparação cénica com Aleksandar Nikolić – sessões especificamente desenhadas para preparar cada cantor para o palco da Gulbenkian. Sexta-feira, têm o primeiro ensaio com orquestra. Sábado, o ensaio geral.
No domingo, 7 de junho, às 18h00, o Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian acolhe a Final do Cascais Ópera 2026. Os oito finalistas cantam acompanhados pela Orquestra Sinfónica de Cascais, sob a direção do maestro Antonio Pirolli, numa noite apresentada pela musicóloga Inês Thomas Almeida.
Durante o intervalo para deliberação do júri, entre as 20h00 e as 21h15, terá lugar no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian a conversa “Um dia havemos de ir todos à Ópera”, subordinada ao tema “Sem mecenas não há Traviata”. Moderada por Hugo van der Ding, autor e figura bem conhecida da rádio e televisão portuguesas, a sessão reunirá Ana Proença (Associação Portuguesa das Artes), Embaixador António Monteiro (Fundação Millennium bcp), José Pena do Amaral (Fundação BPI “la Caixa”) e Jorge Leitão (Leitão & Irmão Joalheiros), para uma reflexão sobre o papel do mecenato no apoio à criação artística e à sustentabilidade das instituições culturais.
No final, a entrega de prémios, e um feedback informal com os membros do júri.
Para os doze semifinalistas que não avançaram, o concurso também não termina aqui. Amanhã têm masterclasses com Aleksandar Nikolić, María Bayo e Juliane Banse, e na quinta-feira sobem ao palco do Palácio da Cidadela de Cascais para o Concerto de Semifinalistas. Uma oportunidade única de ser ouvido, como sublinhou Leiferkus, por quem pode fazer a diferença numa carreira.
As vozes continuam.