Colin Brush, Director do Sarah & Ernest Butler Houston Grand Opera Studio
Colin Brush veio a Cascais pela primeira vez. Veio atraído pela dimensão internacional do concurso – mais de 500 candidaturas de mais de 50 países, cantores de 25 nações ouvidos ao longo de dois dias de provas – e saiu impressionado. “O nível é absolutamente maravilhoso”, diz. “Grande expressão, grande musicalidade, grande comunicação. E fiquei particularmente impressionado com o número de cantores muito jovens, no início de carreira, a fazer um trabalho tão sólido”.
O Diretor do Sarah & Ernest Butler Houston Grand Opera Studio – o programa de desenvolvimento de artistas da Houston Grand Opera, no Texas – está habituado a avaliar jovens vozes. É o seu trabalho. Mas admite que o Cascais Ópera tem algo que nem todos os concursos têm. “É uma energia muito positiva, muito luminosa. E há um respeito genuíno pelos cantores que nem sempre se encontra nestas situações”.
O que torna um concurso especial
Um dos detalhes que mais o surpreendeu foi a existência de formulários explicativos para o público, descrevendo como o júri avalia os cantores. “Acho isso muito importante”, diz. “O Cascais Ópera está a envolver a comunidade, a trazer a ópera até às pessoas e a mostrar-lhes como pensamos sobre o que ouvimos. Artisticamente, é fundamental que o público compreenda como estamos a perceber os cantores”.
É um sinal, para Brush, de uma competição que se preocupa com algo mais do que o resultado. “Em apenas três edições, construíram aqui uma reputação que outros concursos demoraram décadas a construir. Isso é impressionante. E tem muito a ver com o nível do júri, com a abertura à comunidade e com esta atmosfera de apoio aos cantores”.
O conselho que daria a qualquer cantor
Quando fala com jovens cantores, Brush começa sempre pela base: a técnica vocal. “Cantamos a pleno volume sobre uma orquestra. É fundamental ter um mecanismo de suporte saudável, uma produção vocal sã, porque queremos carreiras longas, idealmente até aos 60 ou 70 anos. A fundação técnica é insubstituível”.
Mas há um segundo conselho, que considera igualmente essencial: “Não tenham medo de mostrar a vossa perspetiva única. O que queremos na ópera é sempre uma nova forma de contar a história. Queremos uma perspetiva artística única. É extraordinário quando vemos um cantor que habita as suas próprias ideias sobre quem é a personagem e faz algo especial e diferente”.
E o Cascais Ópera, enquanto plataforma? Brush é claro: para ele, não termina com os finalistas. “Há cantores aqui que vou convidar para fazer audições em Houston. E todos os meus colegas directores de casting estão sempre atentos a pessoas interessantes que possam trazer para as suas companhias. Uma competição é um lugar extraordinário para vermos tantos cantores diferentes e maravilhosos ao mesmo tempo”.