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39 vencedores chegaram a Cascais esta manhã

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Ainda não cantaram uma nota no concurso. Ainda não subiram a nenhum palco, não enfrentaram nenhum júri, não ouviram nenhum resultado. E, no entanto, já ganharam. De entre 499 candidatos de todo o mundo, foram os 39 escolhidos. O mais difícil já foi feito – e foi feito antes de chegar aqui.

Para se tornar candidato ao Cascais Ópera, é preciso enviar uma candidatura. Para ser selecionado, é preciso que o júri ouça a sua voz, numa gravação, entre centenas de outras, e decida que ela merece estar num palco ao vivo. A edição deste ano do Cascais Ópera recebeu 499 candidaturas. O júri ouviu 998 árias. Escolheu 39 pessoas. São essas quarenta que chegaram hoje a Cascais – de malas feitas, de partituras na mala, de histórias que o mundo ainda não conhece, de sonhos por realizar.

Há na chegada ao Cascais Ópera uma qualidade particular de tensão. Não é o nervosismo da dúvida – é o da confirmação. Cada um destes cantores já demonstrou que merece estar aqui. “Já foram selecionados de entre 500 candidatos. São todos vencedores. De agora em diante, o único adversário de cada um de vós têm de ser vocês próprios – fazer melhor hoje do que ontem, e melhor amanhã do que hoje” – Sergei Leiferkus, presidente do júri e cofundador do Cascais Ópera

É para esses quarenta que foram selecionados que a cerimónia de abertura desta manhã foi pensada. Não como protocolo, mas como reconhecimento. Alexandra Maurício, diretora geral e cofundadora do concurso, disse-lhes diretamente: “Passámos um ano inteiro a preparar a vossa chegada. Estão aqui para construir as vossas carreiras. São a próxima geração dos grandes cantores do mundo”. Não era retórica. Era uma convicção dita em voz alta para que ninguém tivesse dúvidas.

A família antes da competição

Há uma palavra que regressa constantemente quando se fala do Cascais Ópera: família. Não no sentido vago e desgastado que a palavra por vezes adquire, mas no sentido preciso de um grupo de pessoas que partilha algo que não se explica facilmente a quem está de fora. 

Quem mais claramente encarnou essa ideia foi Rita Coelho, vencedora da edição de 2025, que regressou hoje a Cascais não como concorrente, mas como memória viva do que este lugar pode fazer por uma carreira e por uma pessoa. Dirigiu-se aos quarenta candidatos com a autoridade de quem esteve exatamente onde eles estão e sobreviveu, e mais do que sobreviveu, floresceu. Disse-lhes que abraçassem tudo: a comunidade, os corredores, as refeições partilhadas, os ensaios, os momentos de dúvida. E disse-lhes, com uma precisão que a sala recebeu em silêncio:

“Estejam nervosos, mas não com medo. São os nervos que vos levarão ao sucesso. Mostrem tudo o que têm, o que Deus vos deu, o que os vossos professores vos deram, o que a vossa natureza vos deu”. – Sergei Leiferkus, presidente do júri e cofundador do Cascais Ópera

Da esquerda para a direita: Sergei Leiferkus, presidente do júri e cofundador do Cascais Ópera, Adriano Jordão, cofundador e diretor artístico do Cascais Ópera, e Alexandra Maurício, diretora geral e cofundadora do Cascais Ópera.

Cascais como palco e como lugar

A inscrição foi o ritual de passagem. O momento em que cada candidato entrega os seus documentos, recebe o seu número de concorrente e passa, definitivamente, do lado dos que esperam para o lado dos que atuam. Um gesto administrativo com o peso de um limiar. Depois da inscrição, Cascais deixou de ser um destino e tornou-se um contexto – o lugar onde, durante os próximos dias, cada um deles vai descobrir o que é capaz de fazer.

Salvato Teles de Menezes, presidente da Fundação D. Luís I, disse na cerimónia que este concurso enriquece a vida cultural de Cascais de uma forma que vai além do evento em si, que a abertura ao mundo, a presença de vozes de vinte e cinco países, a mistura de tradições musicais e de percursos humanos, fazem de Cascais um lugar diferente durante esta semana. Um lugar que aprende os nomes do mundo.

Depois das palavras, o trabalho

A tarde não deixou margem para contemplação. Ainda durante a manhã, os quarenta posaram para uma fotografia de grupo – quarenta rostos de vinte e cinco países num único enquadramento, a partilhar o espaço antes de partilharem a história. Depois, masterclasse com Jorge Balça na Casa das Histórias Paula Rego. As distribuições dos ensaios para as eliminatórias foram entregues. O concurso, que até agora existia apenas como ideia, tornou-se calendário, horário, sala, instrumento, voz.

Amanhã, 30 de maio, começam as primeiras provas no Conservatório de Música de Cascais. O público pode assistir gratuitamente. Será a primeira vez que estas vozes são avaliadas ao vivo – a primeira vez que Cascais as ouve cantar.

Hoje, ainda, eram apenas quarenta vencedores a aprender o nome uns dos outros.

OUTROS ARTIGOS

Over the past three decades, primarily in London, Portugal and Amsterdam, Dr Jorge Balça
has developed a strong portfolio of work and a unique combination of skillsets – as a stage
director (of theatre, opera, and hybrid forms), a teacher and workshop leader, a presentation
skills, acting and creativity coach, and practice-based researcher. His work in all these
domains is distinguished by his commitment to and skill in making fantasy and invention
emerge from precise knowledge and training – and by his ability to inspire a similar alchemy
in his collaborators.

Classically trained as an actor and countertenor, he studied theatre directing in London and
Moscow, specialising in Shakespeare, techniques of adaptation, Meyerhold and commedia
dell’arte. Jorge also holds a PhD exploring the dramatic training of opera performers.
With a love for site-specific projects and collaborative forms, and an equal flair for comedy
and drama, his work is dramaturgically inventive, visually striking, and physically engaged.
He was the artistic director of Bloomsbury Opera and associate director of The Opera
Makers, both in London. In Portugal, he has recently directed L’Heure Espagnole and The
Turn of the Screw at Centro Cultural de Belém, and Don Giovanni and La Voix Humaine at
Festival de Ópera de Óbidos.

Jorge is committed to his work as a teacher, having taught at the Dutch National Opera
Academy, Morley College London, Universidade de Évora and other institutions. He
maintains an international coaching private practice and is the acting coach at the Neil
Semer Vocal Institute in Italy.

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director (of theatre, opera, and hybrid forms), a teacher and workshop leader, a presentation
skills, acting and creativity coach, and practice-based researcher. His work in all these
domains is distinguished by his commitment to and skill in making fantasy and invention
emerge from precise knowledge and training – and by his ability to inspire a similar alchemy
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Classically trained as an actor and countertenor, he studied theatre directing in London and
Moscow, specialising in Shakespeare, techniques of adaptation, Meyerhold and commedia
dell’arte. Jorge also holds a PhD exploring the dramatic training of opera performers.
With a love for site-specific projects and collaborative forms, and an equal flair for comedy
and drama, his work is dramaturgically inventive, visually striking, and physically engaged.
He was the artistic director of Bloomsbury Opera and associate director of The Opera
Makers, both in London. In Portugal, he has recently directed L’Heure Espagnole and The
Turn of the Screw at Centro Cultural de Belém, and Don Giovanni and La Voix Humaine at
Festival de Ópera de Óbidos.

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Academy, Morley College London, Universidade de Évora and other institutions. He
maintains an international coaching private practice and is the acting coach at the Neil
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